Na manhã de terça, 4 de novembro, desenvolveu-se no Centro de Estudos de Pós-graduação e Educação Continuada da Universidade de Santiago do Chile, o seminário híbrido “Estratégias para melhorar a dieta do idoso”, instância que reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais da área alimentar para abordar os desafios associados à alimentação em idosos.
A exposição esteve a cargo da cientista espanhola Dra. Amparo Tárrega, pesquisadora do Instituto de Agroquímica e Tecnologia de Alimentos (IATA-CSIC), especialista em percepção sensorial e processamento oral, quem apresentou diversas estratégias para melhorar a qualidade da dieta em idosos e pessoas com dificuldades de mastigação, mais conhecida como disfagia.
“Temos estado trabalhando esse tema há muitos anos, porque a população está envelhecendo e a necessidade de alimentos adaptados é cada vez mais evidente. O desafio é grande, já que não basta com que um produto seja nutritivo, também deve ser agradável, com bom sabor e com uma textura confortável para aqueles com dificuldades de mastigação ou deglutição. Conseguir esse equilíbrio é extremamente complexo e requer pesquisar como são processados os alimentos na boca e como essa experiência influi no ato de comer”, indicou a Dra. Amparo Tárrega.
Para o Chile a situação não é muito diferente, pois, segundo dados do Instituto Nacional de Estadísticas, o censo do ano 2024 concluiu que a porcentagem de pessoas de 65 anos, ou mais, alcançou o 14% enquanto que 32 anos antes, em 1992, eram 6,6% (8,1% em 2002 e 11,4% em 2017). Ao mesmo tempo, observa-se uma diminuição da porcentagem de pessoas com 14, ou menos anos, de 29,4% em 1992 a 17,7% em 2024 (25,7% em 2002 e 20,1% em 2017).
Nesse contexto, já existem esforços concretos orientados para enfrentar esse desafio. A Dra. Carla Arancibia lidera o projeto Fondecyt Regular (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que busca desenvolver sobremesas tipo gel enriquecidas com proteína, vitamina D e ácidos graxos ômega, projetados para facilitar a deglutição e assegurar uma ingestão nutricional adequada em idosos.
“A colaboração com Amparo surge justamente porque precisamos entender como a saliva e o processamento oral influem na textura e a aceitabilidade destes géis. Sua experiência em técnicas sensoriais adaptadas para idosos nos permite avançar para produtos que sejam realmente confortáveis e agradáveis de consumir”, indicou a Dra. Carla Arancibia.
Atualmente, o projeto se encontra em seu terceiro e último ano de execução, realizando provas sensoriais com idosos para avaliar a aceitabilidade e o conforto oral das sobremesas tipo gel desenvolvidas.
“Nosso próximo passo é avançar para uma fase de escalonamento, já seja se candidatando a fundos como o Fondef (Fundo para a Promoção do Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ou estabelecendo alianças com empresas para levar os produtos a uma planta piloto. A ideia é que essa pesquisa não fique no laboratório, senão que finalmente chegue a quem precisa e contribua para melhorar a sua alimentação e qualidade de vida”, concluiu a Dra. Carla Arancibia.
