Por que é chave proteger a Propriedade Intelectual das pesquisas?

Acadêmicas e acadêmicos destacam que permite proteger o conhecimento gerado na universidade, assegurando seu uso exclusivo e evitando cópias. Também representa uma forma para a comercialização de tecnologias, a criação de spin-offs, a transferência à indústria, facilita a recuperação da inversão em pesquisa, incentiva a inovação e fomenta alianças estratégicas, entre outros benefícios. 

Observa-se uma pessoa escrevendo em um caderno com uma caneta dourada.

A Universidade de Santiago conta com um portfólio sólido de tecnologias protegidas legalmente, por meio de patentes de invenção, registros de microrganismos e desenhos industriais, entre outros mecanismos de Propriedade Intelectual (PI).   

Essas inovações têm um impacto direto em áreas como a saúde, a alimentação, a mineração, as energias limpas, a nanotecnologia e a educação, entre outras. Mas, por que é crucial proteger os resultados da pesquisa? No âmbito do Dia da Propriedade Intelectual, comemorado no dia 26 de abril, acadêmicas e acadêmicos da Usach compartilharam suas experiências e visão sobre a importância da PI como uma forma de proteger o conhecimento.

1- Dr. Alfredo Artigas A. - Faculdade de Engenharia: O pesquisador, diretor do Departamento de Engenharia Metalúrgica e cofundador da USensing, spin-off surgido na Usach com ênfase na mineração, destaca que a protecção tecnológica tem permitido “assegurar a exclusividade no uso e comercialização de nossas tecnologias, fortalecendo nossa posição como fornecedores únicos e fomentado o desenvolvimento de inovações que aportam valor à indústria de mineração”.

2- Dra. Sylvia Contreras S. - Faculdade de Humanidades: Voltada para docentes que trabalham em programas de reinserção e reingresso escolar, pedagogiasparalajusticiasocial.cl é uma plataforma digital protegida por meio do registro de marca. Uma de suas criadoras, a Dra. Sylvia Contreras, acadêmica do Departamento de Educação, indica que a plataforma como serviço público “tem se protegido o caráter comum, acessível e ético do conhecimento produzido coletivamente. Mais do que restringir seu uso, procura-se cuidar os princípios que o originam e o reconhecimento dos saberes diversos que compõem seus conteúdos”.

3- Dr. Renato Chávez R. - Faculdade de Química e Biologia: Acadêmico e pesquisador no Departamento de Biologia, o Dr. Renato Chávez destaca a importância de proteger as tecnologias. “Significa que é possível inovar em um ambiente seguro legalmente, o que permite ter acesso a fundos ou outros apoios, sem o risco de perder a propriedade sobre a inovação. Isto facilita a pesquisa. Se não existisse a possibilidade de proteção da propriedade intelectual, a alternativa é o segredo, o qual dificultaria o desenvolvimento da pesquisa de uma tecnologia potencialmente aplicável”.

4- Dra. María Angélica Ganga M. - Faculdade Tecnológica: A pesquisadora e atual diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia dos Alimentos, conta com duas patentes de invenção e um produto licenciado. Ela afirma que “o Estado, através de suas universidades, realiza esforços para o desenvolvimento de conhecimentos, tanto básico como aplicado, especialmente de novas tecnologias. As e os acadêmicos, assim como estudantes, envolvem em suas pesquisas toda a sua experiência e conhecimento, obtendo produtos inovadores ou melhorando processos produtivos. Esse esforço, que é econômico e intelectual, uma das maiores riquezas de um país, faz muito importante a proteção dos produtos e tecnologias geradas”.

5- Dr. Matías Díaz D. - Faculdade de Engenharia: O diretor do Departamento de Engenharia Elétrica e cofundador da E2 Engenharia, spin-off nascido na Usach com ênfase na eletromobilidade, destaca que proteger a Propriedade Intelectual é uma forma de valorizar o conhecimento gerado na universidade. “Permite proteger nossos desenvolvimentos para sua futura comercialização. A proteção intelectual é também muito importante pois habilita a criação de empresas com base científico-tecnológica que adotam essas tecnologias e as levam ao mercado, fechando o ciclo entre pesquisa, desenvolvimento tecnológico e aplicação real”, afirma o pesquisador.

6- Dra. Brenda Modak C. - Faculdade de Química e Biologia: A acadêmica e pesquisadora do Departamento de Ciências do Ambiente, como inventora conta com quatro patentes concedidas e uma apresentada, a nível país. Desde sua perspectiva a Propriedade Intelectual “é uma forma importante e segura de proteger os resultados que são produto de muito trabalho, esforço e criatividade como pesquisadores”. Adiciona que a proteção das invenções “incentiva a criatividade e a inovação e, portanto, estimula aos pesquisadores em seus trabalhos, na busca de soluções a diferentes problemas da sociedade e da indústria”.

7- Dr. John Kern M. - Faculdade de Engenharia: Pesquisador e diretor do Programa de Doutorado em Ciências da Engenharia menção Automática, considera que a PI é uma forma de “validar pesquisas que geram resultados concretos e aplicáveis por terceiros para melhorar processos ou sistemas”. Também adiciona, que assim “está ligada a procedimentos formais que protegem os direitos de uso, oferecendo proteção legal contra usos não autorizados”.

8- Dr. Federico Tasca G.- Faculdade de Química e Biologia: O acadêmico e pesquisador do Departamento de Química dos Materiais, tem liderado projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) focados no desenvolvimento de eletrocatalisadores e biofotopainéis, a partir de algas e enzimas, cujos resultados tem patenteado. Ele indica que a PI é chave para outorgar valor real à pesquisa. “Protege o conhecimento gerado e habilita sua transferência à indústria, o desenvolvimento de negócios, spin-offs ou startups, e um impacto concreto. Além disso, facilita a comercialização ou licenciamento de tecnologias e outorga visibilidade ao projeto”.

9- Dra. Karen Manquián C. - Faculdade de Química e Biologia: Chefe da Carreira de Técnico Universitário em Análise Físico e Químico e pesquisadora do Laboratório de Solos e Meio Ambiente, destaca que “proteger as tecnologias permite comercializar os desenvolvimentos, recuperar a inversão da pesquisa e evitar que sejam copiadas”. Além disso, ela também diz que “facilita alianças estratégicas entre universidade, empresas e outros atores do ecossistema, ao estabelecer claramente os direitos sobre uma tecnologia”, esclarece.

10- Dr. Ricardo Vega V. - Faculdade de Engenharia: O acadêmico e diretor do Centro de Economia do Hidrogênio, conta com uma destacada trajetória em pesquisa. Recentemente conseguiu uma patente no Japão por uma tecnologia que otimiza a produtividade do iodo, que se soma à conseguida no Chile. Ele esclarece que a Propriedade Intelectual “representa o reconhecimento oficial de uma aplicação surgida da pesquisa, permite assegurar eventuais benefícios econômicos derivados de sua implementação industrial e aporta ao posicionamento da Universidade em pesquisa e desenvolvimento”.

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