No âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, o Consórcio Science Up da Universidade de Santiago do Chile realizou o evento “Ciência em Perspectiva”. Essa atividade, organizada pelo Eixo de Liderança e Participação Feminina, reuniu a comunidade universitária para analisar as questões históricas e atuais enfrentadas pelas mulheres cientistas, bem como para discutir novas estratégias para impulsionar seu desenvolvimento futuro.
“Um dos aspectos mais valiosos das atividades que realizamos como Eixo é a transmissão da experiência e das vivências daquelas que hoje ocupam posições de liderança para as novas gerações. Seja por meio de relatos ou de mentorias, pois é assim que, no fim das contas, todas nós crescemos”, destacou a professora Daniela Soto Soto, coordenadora do Eixo de Liderança e Participação Feminina da Faculdade de Ciência.
Essas atividades reflexivas tiveram início por meio de vídeos curtos exibidos nos telões de cada Departamento e Faculdade. A corresponsabilidade e as formas de crescimento na área foram o ponto de partida, que depois se ampliou nas tardes de cinema, iniciadas com a história da cientista Hipácia, através do filme “Ágora” (2009), e que finalmente encerraram o evento com o filme “Estrelas Além do Tempo” (2016), que conta a história de Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, cujo trabalho foi crucial para que a NASA conseguisse colocar em órbita o primeiro astronauta americano.
Durante o evento, foi prestada uma homenagem às onze autoras de “11F en Breves 2025”, contos que celebraram o Dia da Mulher e da Menina na Ciência em fevereiro deste ano. Relatos que revelaram a diversidade de experiências das mulheres na ciência, desde as primeiras abordagens infantis aos fenômenos científicos que despertaram suas vocações, até as reflexões sobre o que significa ser cientista atualmente. As histórias também abordaram temas como a maternidade no âmbito científico e experiências em diversos territórios, incluindo pesquisas na Antártida.
"Trabalho com células de mamíferos, peixes e células cancerígenas. Minha vida é fazê-las crescer e, às vezes, elas não crescem, apesar das condições controladas. De repente, me deparo com essa menina, que veio de mim, das minhas células-tronco, e tento fazer o mesmo que no laboratório: proporcionar as condições para que ela cresça. Para mim, o que escrevi é a minha vida. Não somos apenas pesquisadoras, somos uma comunidade; por isso, convido outras pessoas a participar, pois elas têm experiências que valem a pena compartilhar”, expressou Sofía Michelson Quintana, doutoranda e autora de “Células de Madre”.
Abordando as lacunas nas carreiras científicas por meio da transmissão de experiências
Como as mentorias impulsionam o desenvolvimento das novas gerações de cientistas? Esse foi o tema central do debate que reuniu mentoras e mentoradas da Usach para compartilhar suas experiências pessoais e em dupla no Programa de Mentoring Science Up 2024, um encontro que permitiu explorar o impacto dessa iniciativa na formação e no crescimento profissional das jovens pesquisadoras.
"Eu estava passando por um processo bastante complexo com o doutorado, a prova de qualificação, o trabalho e a maternidade. Ter contado com a Dra. Yolanda Vargas foi reconfortante. Ela me ajudou a lidar com minhas emoções e com o estresse que eu estava enfrentando. Este programa me trouxe muitos benefícios, tanto no acadêmico quanto no profissional e pessoal. Me ajudou a aceitar a frustração, porque às vezes os experimentos não dão certo e é preciso aceitar isso, depois recomeçar; não há nada de errado nisso”, destacou Claudia Díaz Beas, aluna do Doutorado em Química da Usach e mentorada.
Qual foi a chave? Muitas mentoras concordaram que foi a formação que receberam antes de formar as duplas, onde o modelo SEDA (Sintonizar, Ouvir, Desafiar e Contribuir), aprendido pelas cientistas experientes nos treinamentos com a Comunidade Mulher, resultou ser essencial nesse processo, destacou a Dra. Daniela Geraldo, mentora e CEO da Breaking Cupper. Isso também foi corroborado pela mentora Dra. Mónica Imarai Bahamonde, ex-diretora do Centro de Biotecnologia Aquícola, que destacou a importância da abordagem pessoal que lhes permitia orientar a conversa.
Essa estratégia, aplicada internacionalmente para eliminar as desigualdades de gênero nas comunidades universitárias, tem se mostrado eficaz, conforme destacou a Dra. Yenniffer Ávalos Carrasco, diretora da Direção de Gênero, Diversidade e Equidade da Usach, que citou como exemplo as universidades de Berlim, onde, após sua implementação, cerca de 50% das mentoradas conseguiram assumir cargos acadêmicos.
“Embora essa estratégia ainda não esteja institucionalizada, há um trabalho em andamento nesse sentido. O convite é recíproco: que continuemos nessa linha de articulação, de trabalhar e ver como podemos fazer que essas iniciativas não sejam um esforço isolado, dependente de um consórcio com duração limitada, mas sim da própria instituição”, destacou a professora Ávalos.
"Foi uma experiência extremamente enriquecedora com um pequeno grupo de seis duplas. Esperamos poder repeti-la anualmente e que nossas atuais mentoradas se tornem futuras mentoras, ampliando assim o alcance do programa. Agradecemos essa perspectiva, que nos apresenta um desafio tanto para o nosso Eixo quanto para o Consórcio”, respondeu a Dra. Claudia Ortiz Calderón, coordenadora do Eixo de Liderança e Participação Feminina da Faculdade de Química e Biologia da Usach, em resposta ao que foi destacado pela diretora da DGDE.
