Com a apresentação dos avanços e resultados obtidos, foi realizado o evento de encerramento do projeto Fondef (Fundo para a Promoção do Desenvolvimento Científico e Tecnológico) “Desenvolvimento de um novo bactericida à base de bacteriófagos líticos para o controle biológico do câncer bacteriano em cerejeiras e da mancha bacteriana em tomates, doenças causadas pela Pseudomonas syringae”.
A iniciativa foi liderada pelo Dr. Antonio Castillo Nara, acadêmico da Faculdade de Química e Biologia, juntamente com a Dra. Andrea Mahn Osses, acadêmica e diretora da Faculdade de Engenharia, que atuou como diretora adjunta do projeto.
O projeto foi possível graças à colaboração da empresa Bio Insumos Nativa e da Fundação Copec-UC, bem como ao apoio da Vice-reitoria de Pesquisa, Inovação e Criação (Vriic), por meio de sua Direção de Gestão Tecnológica (DGT).
Problema atual
Durante o evento, o Dr. Castillo apresentou os principais aspectos desse projeto de P&D, voltado para o desenvolvimento de uma solução de baixo impacto ambiental por meio de bacteriófagos líticos, com o objetivo de controlar as infecções causadas pelo patógeno Pseudomonas syringae em plantações agrícolas.
Segundo ele explicou, uma das doenças mais prejudiciais causadas por essa bactéria é o câncer bacteriano da cerejeira, que “ataca os tecidos condutores da árvore, provocando sua deterioração e, eventualmente, sua morte”, afirmou. O impacto é significativo, gerando uma redução na produção anual de até 20% em árvores adultas e de 40% em exemplares mais jovens.
Apesar dos esforços do setor agrícola para conter essa ameaça utilizando antibióticos e produtos com compostos de cobre, esses métodos têm se mostrado insuficientes. “Um dos principais problemas é o surgimento de cepas resistentes, tanto aos antibióticos quanto aos compostos de cobre, o que, além disso, pode contaminar os solos e ser tóxico para as pessoas”, destacou o pesquisador.
Principais resultados obtidos
Para oferecer uma solução mais eficaz e, ao mesmo tempo, inofensiva ao meio ambiente, a equipe de pesquisa desenvolveu e validou uma formulação de um bactericida cujo princípio ativo é uma mistura de sete bacteriófagos líticos microencapsulados, que demonstraram alta eficácia tanto em testes de laboratório quanto em ensaios de campo.
O Dr. Castillo explicou que esses bacteriófagos ou fagos, que são partículas virais que infectam e destroem bactérias, conseguiram superar os mecanismos de resistência da Pseudomonas syringae. “Já caracterizamos e aplicamos em campo sete fagos diferentes, com resultados muito positivos”, destacou.
Além disso, a tecnologia de microencapsulação utilizada protege os bacteriófagos contra condições ambientais adversas, como altas temperaturas e radiação UV, que tendem a inativá-los. “Esse processo também permite uma liberação lenta e prolongada na superfície do vegetal, garantindo um efeito bactericida sustentado após a aplicação”, acrescentou.
Ao concluir sua intervenção, o pesquisador destacou que “com os resultados obtidos, estamos atingindo um nível de maturidade tecnológica próximo ao TRL 4. Por isso, buscamos avançar para uma segunda etapa que nos permita continuar desenvolvendo essa solução”.
