Da pesquisa à indústria: Brasil e Chile estreitam laços para desenvolver tecnologias de valor agregado

Uma aliança promovida pela Faculdade de Química e Biologia buscará fortalecer a inovação no setor do lítio.

Observam-se várias baterias de diferentes cores, tamanhos e modelos.

Com o objetivo de promover a colaboração científica entre o Brasil e o Chile, o Dr. Robinson Cruz,  gerente de Pesquisa do Instituto Hercílio Randon do Brasil (IHR), visitou o Laboratório de Materiais Eletrocerâmicos da Faculdade de Química e Biologia, liderado pelo Dr. Domingo Ruiz.

“Acredito que o Brasil e o Chile têm muito em comum, mas não se conhecem o suficiente para potencializar sua arte de transformar matérias-primas da mineração em produtos de valor agregado”, afirmou o Dr. Cruz, destacando o interesse mútuo em avançar no desenvolvimento de novos materiais tecnológicos para eletrólitos e eletrodos aplicáveis em baterias de lítio de estado sólido.

Durante sua estadia, o Dr. Cruz conheceu pessoalmente as capacidades tecnológicas da Usach e valorizou o nível de conhecimento que a universidade possui na área de baterias de estado sólido. “Mas o mais importante é que aqui há pessoas que compreendem a importância de transferir o conhecimento científico para a comunidade. Uma das formas de fazer isso é desenvolvendo produtos que, estou convencido, dominarão uma parte importante do mercado de mobilidade a nível mundial”, afirmou o pesquisador, que também é docente da Universidade de Caxias do Sul e da Universidade Federal de Santa Catarina.

“O Chile tem cobre, tem lítio. O Brasil tem alumínio e nióbio, e importamos tudo da China. Acho que é hora de pensar em mudar essa situação de exportação de commodities e começar a desenvolver tecnologia latino-americana. Essa é a proposta”, afirmou o acadêmico, que manifestou seu interesse em promover a integração de conhecimentos entre países, universidades e indústrias “não apenas na química, mas também na eletrônica, na mecânica e nos materiais para a engenharia química”.

Parte da visita incluiu um passeio por diversos laboratórios da Faculdade de Química e Biologia, bem como por outras unidades acadêmicas da universidade, como a do Dr. Matías Díaz, diretor do Departamento de Engenharia Elétrica, onde atualmente estão sendo desenvolvidos vários projetos de pesquisa em parceria com o Dr. Ruiz.

O Dr. Domingo Ruiz, por sua vez, elogiou a iniciativa e previu que esse trabalho conjunto permitirá “contribuir de forma efetiva para a cadeia de valor agregado da indústria do lítio e de outros minerais estratégicos para o Chile e o Brasil”. Além disso, incentivará a participação de alunos de pós-graduação e a realização de estágios de pesquisa em ambas as instituições.
 

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